Todo o arquiteto que conceitua suas obras tem o desejo em algum período da vida projetar uma grande obra religiosa, nem todos tem esse privilégio. Isso porque não existe maior inspiração do que pensar e criar algo que tem princípios sagrados, tratando-se do espaço diretamente ligado à fé do homem com o ser divino.
Em um congresso ainda na faculdade sobre arquitetura sagrada, pude compreender com maior clareza a sensibilidade que se deve ter com esse tema na arquitetura.
Acredito que o aperfeiçoamento de criar conceito intencional na arquitetura historicamente tenha origem pela religiosidade humana, como uma forma e necessidade de poder sentir a presença de Deus no local. Olhando para o passado, os arquitetos dos primeiros templos religiosos já tinha essa preocupação em planejar.
Essa imagem é um templo religioso na Ucrânia, percebe-se a projeção de luz diagonal.
Na idade média os templos eram conceituados através do contraste de luz e sombra, era estrategicamente planejada a entrada de luz natural na edificação, simbolizando a presença de Deus como luz, dominando e interagindo no espaço com os fieis.
A catedral de Brasília
A catedral de Brasília projetada por Oscar Niemeyer é um ótimo exemplo de arquitetura religiosa, inserida dentro de um pensamento inovador, sem perder o conceito histórico, que faz dessa edificação um obra de arte!
Já reparou que enfrente de toda igreja, principalmente igrejas católicas, sempre há uma escadaria? Ela faz parte de principio religioso, de elevar a importância da igreja, para que a pessoa antes mesmo de entrar, reverencie o local, mesmo que sem perceber olha para o chão enquanto sobe a escada.
Niemeyer criou na Catedral de Brasília uma rampa com o mesmo pretexto, antes de entra o público passa por uma longa rampa, enquanto avança se torna cada vez mais escura, como uma passagem do pecador até encontrar a luz divina. Quando finalmente entra na catedral, é contemplado com a iluminação natural impressionante proporcionado pelos grandes vitrais ao redor da edificação.



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